No Natal de 19 estava eu, no bairro de Bonsucesso com a missão de comprar presentes para minhas três crianças. Sem muitos recursos financeiros, procurei algo simples, numa média de R$ 15,00.
Para a menina uma boneca, para o do meio um barril de pirata, que espeta e o pirata pula, muito bacana e para o mais velho, investi um pouco mais e comprei um conjunto de futebol de mesa, que confesso, comprei pra mim também, rs.
A questão é que no geral não gastei R$ 100 nos três presentes.
Mas quero direcionar o farol para o meu filho do meio, pois o mais velho já foi educado em valorizar os jogos de tabuleiro e antigos, então os botões foram um presentasso, a mais nova, por mais inteligente, não compreendeu a ideia (hoje quatro meses depois é outra coisa), mas meu garoto do meio quando abriu o presente pulou, abriu um sorriso tão brilhante, tão sincero, seus olhos ficaram tão puxadinhos, seus cabelos balançando, aquelas mãozinhas agarradas com o barril como se todo seu corpo me chamasse para brincar, então fomos. A cada pulo do pirata era um grito, uma vibração e ali estávamos eu e meus dois filhos. Usamos um bom tempo brincando com o pirata. Quando precisamos sair, adivinha ... É, ele levou o pirata. Na estrada, paramos para comprar o almoço e enquanto esperávamos, brincamos com o pirata na mesa do lado de fora do restaurante e assim foi durante os próximos dias.
Porém, apesar disso tudo, nós, pais, homens, por mais dedicados, precisamos do nosso momento para ler um livro, pensar em nada, conversar com a mamãe das crianças, enfim, qualquer coisa que não nos permita estar 100% do tempo com nossos pequenos. Fato é que depois de receber alguns "agora não", "brinca com seu irmão", "daqui a pouco" aquela euforia diminuiu consideravelmente a ponto do descuido, perda de algumas espadinhas do jogo (que depois foram encontradas) mas que não permitiu que o presente mantivesse seu impacto.
O que aconteceu?
O presente, independente do preço, tinha seu valor medido conforme a minha participação na brincadeira junto com meu filho e a medida que não pude mais participar daquela brincadeira o presente ganhou um proporcional valor. Assim, cedeu lugar para o futebol, para o balanço, para a praia, para passear na rua, para ficar na quadra, amarelinha, enfim ... Para toda e qualquer coisa que ele pudesse fazer junto com o pai dele.
Cara...não gaste mais centenas de reais com presentes, dê o que não vai custar no seu bolso, como um abraço, atenção, um beijo, um eu te amo, um você está lindo, uma demonstração de preocupação, pois seu filho na visão dele já foi beneficiado com o maior e melhor dos presentes ... Seu pai.